terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O meu trabalho como psicoterapeuta centrado na pessoa


É muito comum as pessoas perguntarem como é exatamente o trabalho dos psicoterapeutas, ou seja, o que fazem em especial os psicoterapeutas para o bem da saúde mental de seus clientes? Neste texto, procuro responder essa pergunta do meu ponto de vista, o que inclui a influencia da Abordagem Centrada na Pessoa no meu modo de atuar como psicoterapeuta e minhas percepções e observações da prática junto aos meus clientes. Acredito que a resposta que elaborei merece ser compartilhada com os colegas e interessados para ser criticada e aperfeiçoada. O objetivo aqui não é opor e nem trazer algo de muito diferente do que já foi dito pelos estudiosos da abordagem, mas argumentar e ilustrar a questão a partir da minha perspectiva experiencial. Procurei responder como faço o trabalho e qual efeito ele tem no cliente de uma forma próxima da experiência vivencial, tanto do meu ponto de vista quanto do que presumo que seja o ponto de vista dos clientes.
Nessa perspectiva, o meu trabalho como psicoterapeuta centrado na pessoa é principalmente agir como um facilitador para que o cliente experiencie, simbolize e expresse em profundidade. Aqui, experienciar significa perceber as sensações corporais pré-simbólicas (não racionalizadas, como um frio na barriga mediante ao perigo); simbolizar significa encontrar significado e identificar sentimentos para a experienciação, e expressar significa comunicar a simbolização, ou seja, os sentimentos identificados. Experienciar, simbolizar e expressar produz efeito terapêutico nos clientes de transformação de problemas, conflitos, sofrimentos e qualquer tipo de transtorno em algo mais digerível e assimilável. Dessa forma, a psicoterapia colabora com os processos naturais de cura e desenvolvimento da pessoa. Além disso, há diminuição da necessidade e urgência de praticar ativamente atos que podem ser agressivos contra si e contra outros, como também, redução da possibilidade de, passivamente e não conscientemente, gerar ou produzir doenças psicossomáticas. Já foi dito que quem simboliza não atua!
Assim, o meu norte como psicoterapeuta é colaborar com os meus clientes para que eles experienciem vivencialmente, simbolizem significativamente e expressem comunicando-me completamente seus sentimentos. Para tanto, busco me posicionar mediante meus clientes procurando aceitá-los incondicionalmente e estimulando a realização desses processos. Entendo que devo me posicionar facilitando esses processos vivenciais e, para tanto, busco oferecer aos clientes: aceitação incondicional (os clientes são incondicionalmente merecedores de respeito e solidariedade só por serem humanos, semelhante a mim mesmo); congruência (me apresento como um ser humano diferente do cliente, mas buscando ser coerente e verdadeiro comigo mesmo e com os clientes); e empatia (apesar das diferenças pessoais entre eu e os clientes, busco igualdade suficiente para compreende-los profundamente nas suas vivências e sentimentos. Procuro me posicionar como interessado e participante das experienciações, simbolizações e expressões dos meus clientes e, quando estes têm dificuldades nesse sentido, arrisco assumir o papel de tentar experienciar, simbolizar e expressar por eles, como se eu fosse os próprios clientes, numa tentativa de clarificar seus sentimentos para eles mesmos. Faço dessa forma para ajudar meus clientes a aprofundar suas vivências e sentimentos. Entendo que muitas vezes, mesmo quando eu não acerto ao me arriscar vivenciar e sentir no lugar dos clientes, essas tentativas geram neles estímulos para eles próprios irem mais fundo e aumentar a qualidade de suas experienciações, simbolizações e expressões.
Experienciar, simbolizar e expressar não muda os fatos, não cessa sofrimentos e não resolve problemas, embora saibamos que é comum surgir boas ideias solucionadoras em seguida, mas sempre transforma os sentimentos e os sofrimentos em algo mais digerível pelo organismo. Esses três processos conjugados funcionam como um tipo de analgésico e, aquilo que doía mais passa a doer menos e, com menos dor, fica mais fácil retomar controle, assumir responsabilidades e encontrar coragem para tomar decisões e a direção da própria vida. Essa postura de assumir responsabilidades, por sua vez, contribui com o aumento da força natural interior de superação e progresso. Assim, forma-se um “ciclo virtuoso” que, ao aliviar os sofrimentos, aumenta a possibilidade de superação, o que alivia ainda mais os sofrimentos abrindo maiores possibilidades para o bem estar. Embora sentimentos sejam tão particulares e individuais, experienciá-los, simbolizá-los e expressá-los em profundidade ajuda significativamente o processo de recuperação da saúde ou mesmo cura e do desenvolvimento de qualquer pessoa.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Quais são os sinais e sintomas da depressão?

Mas primeiro, como definir sintoma? De acordo com o dicionário Houaiss da língua portuguesa, sintoma é um fenômeno como dor, mal-estar, alterações psicológicas ou fisiológicas que é produzido pela a doença de um referido paciente e, é freqüentemente analisado para se estabelecer o diagnóstico, a classificação da doença, e possíveis tratamentos. Entretanto, antes que uma doença se estabeleça ou possa ser identificada como tal, uma pessoa pode apresentar sinais que indicam a sua eminência. Assim sendo, estes sinais indicariam o primeiro alerta e, a sua pronta identificação, o melhor momento para se tomar as necessárias providências antes do agravamento ou instalação de uma doença ou transtorno, como a depressão.
Antes que a depressão seja consolidada, alguns sinais de alarme podem ser identificados como: a pessoa passar a sofrer acidentes freqüentes e arriscar mais que de costume. Esses episódios podem esconder a vontade de se ferir ou de se autodestruir. Ela pode escrever em alguns lugares ou manifestar de alguma forma o seu desejo de sumir ou morrer. Outros sinais podem ser: sofrer exageradamente e desproporcionalmente na ocorrência de uma perda ou frustração; sentir-se envergonhado, fracassado ou derrotado facilmente e freqüentemente; aumentar a necessidade de carinho e amor; repentinas e não justificadas mudanças de humor; queda de desempenho nas atividades como trabalho, estudo, esporte; começar a escrever um diário ou, se já escrevia, passa encher mais suas páginas; ficar mais agressivo principalmente com a família; passar a sair de casa em horários não esperados, ou ameaça abandonar a família; passar a dar presentes valiosos, abandonar ou dar objetos estimados com os quais tinha cuidado e apego.
Depois que a depressão está instalada, os sintomas mais comuns que podem ser identificados são classificados em fisiológicos, cognitivos, comportamentais, afetivos, interpessoais, e simbólicos. Os fisiológicos são aqueles ligados ao funcionamento físico-químico normal dos seres vivos, como: alteração do sono, alteração do apetite, cansaço, dores físicas vagas e sem origem orgânica aparente. Os cognitivos são os ligados a percepção, memória, juízo e raciocínio, como: expectativas negativas, auto-depreciação, interpretação negativa dos eventos. Os comportamentais são ligados a forma de proceder e comportar mediante estímulos, sentimentos e necessidades, como: perda de interesse por aquilo que antes gostava, atos agressivos ou destrutivos, abuso de drogas. Os afetivos são ligados a reação sentimental e emocional, como: humor deprimido ou irritável, sentimentos de tristeza, angústia e ansiedade. Interpessoais são ligados a interação com as outras pessoas, como: dependência dos outros para tudo, retraimento social e isolamento. Os simbólicos são ligados a expressão através de sinais indicativos ou interpretação destes, como: pobreza de simbolização com redução do vocabulário e das expressões, imagens e fantasias destrutivas, pesadelos recorrentes.
É importante salientar que os sintomas costumam variar muito de uma pessoa para outra e, sintomas fortes para algumas pessoas podem estar ausentes em outras. Entretanto, uma base comum pode ser definida como sendo a maneira como a pessoa se sente em relação a ela mesma e, como percebe a qualidade e a satisfação de sua vida. Uma boa avaliação dos sintomas é assim muito importante para o tratamento, pois pode influenciar na condução do processo. Quando os sintomas são bem identificados torna-se mais provável encontrar as melhores estratégias para o tratamento como um todo.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

La psicología y la alimentación (en español)*

         La psicología es la ciencia que tiene entre sus objetivos estudiar y comprender la formación y el desarrollo emocional y de comportamiento del ser humano. A partir del nacimiento o aún antes, el ser humano comienza a desarrollar una estructura emocional y conductual  que llamamos personalidad. Esta estructura se desarrolla a partir de la interacción de la mente con el cuerpo y el ambiente. La mente trabaja de forma dinámica en sincronía con todos los estímulos internos y externos, realizando en cada momento una evaluación de la situación y en consecuencia produciendo emociones, sentimientos y conductas.
            Obviamente, en los fenómenos de la nutrición, están los primeros y más significativos estímulos que el ser humano experimenta, tanto internamente cuanto externamente. Así, la alimentación se relaciona fuertemente con las emociones, sentimientos, comportamientos e, inevitablemente, con la personalidad que comienza a tomar forma. Además, la alimentación del recién nacido está siempre relacionada al contacto con otro ser humano. De esta forma, en el contacto conjunto con los alimentos y con otro ser humano, el niño experimenta una amplia gama de sentimientos y emociones positivas como: el placer del gusto, el cariño, confort, protección, amor, o sentimientos negativos como: el hambre no saciada, la irritación, la inseguridad, el descontrol, el miedo y algunas insuficiencias. Los fenómenos de la alimentación participan, así, en la estructuración de la personalidad que se forma desde la más tierna edad. Todavía podemos decir que el entrelazamiento de la alimentación con la personalidad continua por toda la vida. Las familias tienen formas variadas de conjugar la alimentación con diversas situaciones como: conmemoraciones, reuniones, premiaciones, obligaciones, puniciones, compensaciones, etc. Es evidente entonces que la alimentación está íntimamente ligada a la formación y manutención de la personalidad.
            Cada vez más, las personas y los gobiernos se preocupan con el control del peso como un factor importante en la salud y, además, hay una fuerte exigencia social por la apariencia delgada. Muchas providencias se toman, tanto por los individuos como por los gobiernos en ese sentido. Sin embargo, típicamente, estas medidas centran los esfuerzos en los aspectos médicos y farmacológicos, en las dietas y ejercicios físicos. Parece que la personalidad del individuo no está muy bien considerada en la lucha por el control del peso, y siendo ella el modelo base de la conducta humana, hace falta tenerla en cuenta como parte esencial del problema de control del peso. Siendo así, entiendo que, juntamente con los profesionales médicos, nutricionistas y educadores físicos, los psicólogos tienen mucho que contribuir trabajando en la personalidad de los individuos, para ayudarles a formar nuevos comportamientos que favorezcan el control del peso.
La alimentación del ser humano es mucho más que un proceso natural de nutrición fisiológica. Ella está en la base de la estructura de la personalidad fundida con las emociones y sentimientos positivos e negativos de amplio espectro. Por lo tanto, el problema del control del peso en niños, adolescentes y adultos necesita considerar aspectos que van más allá de la nutrición, porque lo que está en juego es el ser humano en su totalidad, incluyendo sus emociones, sentimientos, comportamientos, y por tanto su personalidad. De este modo, la psicología a través de la psicoterapia, debe tener un papel importante en el trabajo profesional del control del peso, tanto por razones de salud como por razones estéticas.

* Traducido por Ricardo Alfredo Ruiz Sifontes – El Salvador

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O outro no desenvolvimento humano

Nossa capacidade de autocompreensão e de compreensão do mundo é obviamente muito limitada quando estamos começando a vida no útero materno e logo após nosso nascimento. Nessa fase do desenvolvimento humano, o tempo ainda é insuficiente para o ser desenvolver sua potencialidade de compreensão dos ambientes interno (o próprio corpo) e externo, da mesma forma que é para o desenvolvimento do controle de mobilidade de nossos membros superiores e inferiores (braços, mãos, pernas e pés). Parece que os seres humanos nascem com menor autonomia e são menos “pré-programados” do que a maioria dos outros animais. No caso dos humanos, quase toda a programação para a sobrevivência e o desenvolvimento é feita depois do nascimento e o aprendizado do bebê é principalmente via observação e imitação de outros humanos. Em outras palavras, o bebê humano apreende a ser humano pelo modelo de humanidade que lhe é apresentado nessa fase da vida. Nesse processo, primeiro o bebê observa para depois procurar fazer igual ao que compreendeu que os humanos fazem, ou seja, fazendo imitação do que compreendeu.
Entretanto, considerando o processo assim descrito, como o bebê se guia no sentido de um bom aprendizado para se formar como um ser humano? Como saberia se está cada vez se aproximando ou se afastando do modelo humano de ser? Uma hipótese de resposta do que baliza o bebê, para saber se está na direção certa, seria a compreensão (por ele mesmo) de que está sendo compreendido pelos seres humanos mais próximos (país e cuidadores). Ser bem compreendido significaria estar indo na direção de ser um ser semelhante aos outros humanos. Assim, seria o fato de outras pessoas nos compreenderem um parâmetro fundamental, como placas sinalizadoras de direção para nosso desenvolvimento no sentido da construção do nosso ser como humano. A partir dessa ideia de modelo de desenvolvimento humano na primeira infância, é natural presumir que, sendo o processo bem sucedido, os adultos humanos continuariam a usar esse modelo, pelo menos de forma semelhante, para progredir e atingir o máximo de seu potencial de desenvolvimento. Para tanto, naturalmente, o ser humano precisaria estar sempre em comunicação interativa com outros humanos e ainda precisaria que os outros humanos compreendessem o modo que ele próprio compreende a si mesmo e ao mundo, em cada um dos momentos de sua vida. Dessa forma, seria a percepção de cada um de que outros humanos conseguem compreendê-lo o ponto de partida e de segurança que cada indivíduo teria para avaliar se sua compreensão é razoável para entender tanto a própria realidade interna quanto externa do ponto de vista de um humano normal. Essa compreensão pelo o outro funcionaria como uma bússola para o desenvolvimento do ser como humano normal e mesmo para alcançar o potencial máximo como individuo.
Uma vez que a função da psicoterapia é ajudar no autodesenvolvimento e na cura e, considerando que quando o ser humano está impossibilitado de desenvolver todo o seu potencial a cada momento, ele estará em sofrimento ou doente, como nos alertou Abraham H. Maslow, um modelo de psicoterapia eficiente seria aquele que se aproximasse desse processo natural de desenvolvimento humano como o descrito. Assim, o papel do psicoterapeuta deveria ser o de procurar entender como é a compreensão do seu cliente a respeito de si mesmo e do mundo e comunicar de volta como percebe a compreensão dele. Então, de forma similar ao modelo natural de desenvolvimento humano, a compreensão do psicoterapeuta, que pode ser chamada de empática, iria promover, junto ao cliente, autodesenvolvimento e autotratamento curativo. A psicoterapia, assim, estaria contribuindo para o cliente aprimorar sua compreensão de si próprio e do mundo que o cerca e seu autoconceito e, consequentemente, suas condutas. Esse fenômeno ocorreria à medida que o psicoterapeuta conseguisse indicar ao cliente que o compreende bem no estágio atual de sua autocompreensão e entende a maneira que ele percebe o mundo. Essa indicação ajudaria o cliente, como se fosse uma autorização ou uma base de segurança para partir e retornar, a progredir em relação ao estágio atual e, assim, com segurança, avançar e ir além, no sentido da cura de sofrimentos e do desenvolvimento pleno.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Depression: approaches and treatments (in English)

Depression is a mood disorder that presents a variation of symptoms and manifests itself differently from one individual to another. The disorder can affect many aspects in the life of the depressed person, such as personal, social and professional. It can physically affect the individual, changing his/her appetite, sleep and sexual desire, and causing fatigue and anxiety. The disorder can also adversely affect cognitive functions, like thinking, judging, remembering and concentrating, reducing the ability to make decisions and generating insecurity feelings. In addition, depression can affect the behavior: people cry, hurt themselves, abuse drugs or may even attempt suicide. Many people start to use drugs to cope with anxiety or stress caused by depression. It can still affect the emotions, creating or increasing sadness, despair, guilt, worthlessness, and hopelessness feelings. In terms of social relationships, depression can impair one's ability to relate well with others, that is, the disorder may lead to isolation and separation from the family.
However, there is still much to be clarified about depression, its causes and how to deal with it. There are several theories that attempt to develop more explanation, but there is still much ground to cover. It seems there are two main approaches that stand out on the understanding of depression due to their research basis, advances, diffusion and treatments. One approach, that could be called "psychiatric approach", considers that depression is a problem of more biological order, caused by malfunction in brain activity. This approach primarily indicates psychopharmacological based treatments. Medications, prescribed by a medical professional specialized in psychiatry, are usually the main form of treatment. The other approach, which could be called "psychological approach", understands that depression is primarily caused by the consequences of suffering, emotional conflicts, unconscious and conscious traumas, frustration, loss, stress and other sufferings resultant from human and social relations. This approach mainly indicates a psychotherapeutic treatment, which offers support to cope with depression and seeks balance, understanding and stability to improve the individual’s emotional condition.
However, regardless of the approach and considering the complexity of the interaction of its causes, the diagnosis of depression is not discovered or concluded easily. Therefore, it should start, as a precaution, with an analysis of the person’s emotional life history. A complete and general medical examination may be also important, since depression can be associated with a prior poor health condition. The diseases associated with depression, if untreated, can hinder the success of any depression treatment. On the contrary, when they are treated, the depression treatment has much greater chances to be sucsessful.
The American Medical Association says there is no standard treatment for depression and it also depends on the severity of each case. According to the association, what happened in the past was that some health professionals used to advocate exclusively psychotherapeutic treatment, understanding depression only as a psychological disorder, while others would prescribe only drug treatment, understanding depression as a purely biological problem. Currently, most of the professionals recognize the validity of both treatments, which can be used separately or together, depending on the severity and the symptoms of each case.
As we have seen, there are several possibilities of intervention and treatment. Decisions and choices must be made and it is best that all involved are aware and well informed, so everybody can have a more active and responsible role. There is not an approach that is more correct than another for understanding and treating depression and, when working with one of the two main approaches, the other should always be taken into account too. Treatment through medication alone may seem tempting because it does not require major changes in the person’s life style, and even alone the symptoms can be lessened. However, the causes of the disorder may remain unchanged, so there are greater chances of future crises. On the other hand, treatment through psychotherapy alone, when there is greater degree of suffering and of behavioral change, may be insufficient because it does not generate short-term relief. Thus, depending on the case, the best strategy may be working with the two approaches combined in a cooperative and complementary way. In general, cooperating is better than competing, but this is especially truth when there are many possible solutions but no guarantee of success.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Empatía (en español)

Carl R. Rogers es fundador del Enfoque Centrado en la Persona y fue defensor de la tesis de que la empatía proporcionada por el psicoterapeuta al cliente es una de las maneras más poderosas, a pesar de su naturaleza sutil, para promover cambios de personalidad y, consecuentemente, en los comportamientos. Primeramente, Rogers descubrió, en su práctica como psicoterapeuta, que el oír atentamente ya era un factor aislado de ayuda significativa al Cliente. Comprendió  también que cuando el sicoterapeuta le decía al cliente cuales sentimientos y emociones percibía en él, la efectividad de la terapia aumentaba. A ese procedimiento le llamó reflexión de sentimiento y, juntamente con sus alumnos, descubrió que el estar atento a los sentimientos del cliente y reflejarlos podía transformar una conversación superficial en un autoanálisis profundo realizado por el propio cliente. Sin embargo, posteriormente, Rogers descubrió que no era ni el acto de escuchar ni tampoco la reflexión de sentimientos que ayudaban al cliente, sino la empatía que estaba embutida en ellas. Entonces él postuló que la reflexión de sentimiento no era una técnica o un tipo de terapia y si una particularidad que podría estar englobada en algo mayor como una relación interpersonal empática con el cliente. Él comprendió que no es exactamente la reflexión de sentimientos la que ayuda a los clientes, sino la empatía que debe estar embutida en este tipo de reflexión. La reflexión de sentimientos es una forma auxiliar de demostrar empatía que solamente ayuda al cliente cuando existe empatía autentica del sicoterapeuta en relación a su cliente.
¿En qué consiste esa empatía y como proporciona ayuda al cliente? Voy a arriesgarme en una tentativa de dar una respuesta simplificada a lo que pueda ser eso: es un fenómeno humano de consideración por otro ser humano cuando uno busca comprender al otro a partir del punto de vista del otro, aceptando sus comportamientos sin criticas ni juicio de valor y también buscando la vivencia y comprensión de sus sentimientos y emociones como si fuese el mismo. Para responder a la segunda parte de la pregunta, vamos a considerar lo que Rogers llamó de flujo psicofisiológico. Esto sería el conjunto en movimiento de las sensaciones corpóreas y vivencias psíquicas que experimentamos continuamente en todos los momentos de la vida. En la mayor parte del tiempo, no tenemos conciencia completa de como este flujo de sensaciones y vivencias está corriendo dentro de nosotros y, consecuentemente, no encontramos significaciones precisas para las sensaciones. Siendo así, en la psicoterapia, la empatía permite al psicoterapeuta aproximarse tanto de su cliente hasta el punto de él (el psicoterapeuta) intente encontrar o descubrir significaciones que su cliente acepte como auténticamente suyas. Cuando son encontrados los significados para los flujos sensoriales y vivenciales, estos evolucionan y se aproximan de la conciencia, lo cual permite la comprensión y la aceptación y a partir de entonces, cambios de personalidad y, consecuentemente, cambios en los comportamientos podrán ocurrir. Ese proceso se produce en el cliente por la desalienación en relación a sentimientos reprimidos, por el significación consciente de vivencias, por la aceptación y valorización de sí mismo así como se es, por el no juzgamiento, aceptación incondicional y confirmación de la existencia de identidad por el otro (en este caso, el psicoterapeuta). El cliente se ve entonces, delante de aspectos personales que antes no eran reconocidos como siendo de el mismo. Estos aspectos son ahora aceptados por el incentivo del psicoterapeuta que los acepta con naturalidad. La incorporación de esos aspectos lleva forzosamente al cliente a reelaborar su auto concepto. Una vez que el concepto de sí es actualizado, la personalidad es reconfigurada y los comportamientos se modifican para la adecuación con la personalidad reconfigurada.
            Queda entonces evidente, que la empatía desempeña un papel clave en el proceso de cambio en el cliente en terapia. Es la empatía la que posibilita al terapeuta buscar y eventualmente, encontrar significaciones expresivas para el cliente. Es exactamente a partir de ese punto que se abre la posibilidad para la evolución de la condición del cliente. Sin la empatía, el psicoterapeuta no sería capaz de tener sentimientos próximos a los del cliente, podría apenas intentar comprender al cliente a través de la intelectualización de su condición y por teorías psicológicas. Entretanto, esa comprensión, mismo que acertada y apoyada por teorías psicológicas, alejarían al cliente de un proceso de cambio, en la medida en que él mismo no acataría algo que no puede ser reconocido y comprendido por él mismo. De otra forma, la empatía puede desbloquear vivencias que, cuando son experimentadas a nivel visceral y correctamente simbolizadas y nominadas, proveen cambios en la personalidad y consecuentemente, en los comportamientos. De esta forma, concluimos que la empatía desempeña un papel fundamental en la apertura  del cliente para descubrimientos internos y cambios y, por lo tanto, es esencial, pues como una llave, abre una cerradura en el proceso terapéutico.
* Traducido por Ruben Cesar Ramirez (Paraguay)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Empatia

Carl R. Rogers é fundador da Abordagem Centrada na Pessoa e foi defensor da tese de que a empatia proporcionada pelo psicoterapeuta ao cliente é uma das maneiras mais poderosas, porem de natureza sutil, para promover mudanças de personalidade e, consequentemente,  comportamentais. Primeiramente, Rogers descobriu, em sua prática como psicoterapeuta, que o ouvir atentamente já era um fator isolado de ajuda significativa ao cliente. Compreendeu também que quando o psicoterapeuta dizia ao cliente quais sentimentos e emoções percebia nele, a efetividade da terapia aumentava. A esse procedimento chamou de reflexão de sentimento e, juntamente com seus alunos, descobriu que ficar atento aos sentimentos do cliente e refleti-los podia transformar uma conversa superficial em autoanalise profunda realizada pelo próprio cliente. Entretanto, posteriormente, Rogers descobriu que não era nem a escuta e nem a reflexão de sentimentos que ajudavam o cliente, mas era a empatia nelas embutidas. Ele, então, protestou que a reflexão de sentimento não era uma técnica ou um tipo de terapia, mas sim uma particularidade que poderia estar englobada em algo maior como uma relação interpessoal empática com o cliente. Ele compreendeu que não é exatamente a reflexão de sentimentos que proporciona ajuda aos clientes, mas sim a empatia que deve estar embutida nesse tipo de reflexão. A reflexão de sentimentos é uma forma auxiliar de demonstrar empatia e somente ajuda o cliente quando há empatia autentica do psicoterapeuta em relação a seu cliente.
O que é essa empatia e como promove ajuda no cliente? Vou me arriscar em uma tentativa de resposta simplificada a o que seja isso: é um fenômeno humano de consideração por outro ser humano quando um busca compreender o outro a partir do ponto de vista do outro, aceitando seus comportamentos sem críticas e juízo de valor e ainda buscar vivenciar e compreender seus sentimentos e emoções como se fosse ele. Para responder a segunda parte da pergunta, vamos considerar antes o que Rogers chamou de fluxo psico-fisiológico. Isto seria o conjunto em movimento das sensações corpóreas e vivências psíquicas que experienciamos continuamente em todos os momentos da vida. Na maioria do tempo, não temos consciência completa como este fluxo de sensações e vivencias está correndo dentro de nós e, consequentemente, não encontramos significações precisas para as sensações. Sendo assim, na psicoterapia, a empatia permite ao psicoterapeuta aproximar tanto do seu cliente a ponto de ele (o psicoterapeuta) tentar encontrar ou descobrir significações que seu cliente aceite como autenticamente suas. Quando significados são encontrados para os fluxos sensoriais e vivenciais, estes evoluem e se aproximam da consciência, o que permite compreensão e aceitação e, a partir de então, mudanças de personalidade e, consequentemente, comportamentais poderão ocorrer. Esse processo se dá no cliente pela desalienção em relação a sentimentos reprimidos, pela significação consciente de vivências, pela aceitação e valorização de si mesmo assim como se é, pelo não julgamento, aceitação incondicional e confirmação da existência de identidade pelo outro (no caso, o psicoterapeuta). O cliente se vê, então, diante de aspectos pessoais que antes não eram reconhecidos como sendo dele mesmo. Esses aspectos são agora aceitos pelo incentivo do psicoterapeuta que os aceita com naturalidade. A incorporação desses aspectos leva forçosamente o cliente a reelaborar seu autoconceito. Uma vez que o conceito de si é atualizado, a personalidade se reconfigura e os comportamentos se modificam para adequar com a personalidade reconfigurada.
Fica então evidente que a empatia ocupa um papel chave no processo de mudança no cliente em terapia. É a empatia que possibilita ao terapeuta buscar e, eventualmente, encontrar significações expressivas para o cliente. É exatamente a partir desse ponto que se abre a possibilidade para a evolução da condição do cliente. Sem a empatia o psicoterapeuta não seria capaz de ter sentimentos próximos aos do cliente, poderia apenas tentar compreender o cliente através da intelectualização de sua condição e por teorias psicológicas. Entretanto, essa compreensão, mesmo que muito acertada e suportada por teorias psicológicas, afastariam o cliente de um processo de mudança, na medida em que o mesmo não acataria algo que não pode ser reconhecido e compreendido por si mesmo. De outra forma, a empatia pode desbloquear vivências que, quando são experimentadas ao nível visceral e corretamente simbolizadas e nomeadas, provem mudanças na personalidade e, consequentemente, nos comportamentos. Assim, concluímos que a empatia tem um papel fundamental na abertura do cliente para descobertas internas e mudanças e, portanto, é essencial, pois, como uma chave, abre uma fechadura no processo terapêutico.